Em Xangai são movimentados 43 milhões de contêineres por ano, três vezes mais que o de Roterdã, na Holanda. Com todas as atividades de embarque e desembarque drasticamente reduzidas, o prazo de liberação de contêineres nos portos do país passou de três para vinte dias. O resultado foram filas e mais filas de navios a espera de autorização para atracar. A consultoria internacional especializada em navegação, Windward, calcula que, na última semana de abril/22, aglomeravam-se nos portos da China pelo menos 506 embarcações de grande porte.O caos logístico que se instalou no comércio internacional e, em particular, na China, tem origem em um descompasso entre oferta e demanda ocorrido na transição da primeira para a segunda fase da pandemia, em meados do ano de2021.

Com o rápido reaquecimento econômico decorrente do fim dos primeiros lockdowns, criou-se uma situação de escassez de produtos e matérias-primas nas cadeias de suprimentos em escala global. Tal desequilíbrio estava em fase de normalização no início do ano quando a nova onda da epidemia atingiu as grandes metrópoles chinesas, sede de fábricas que abastecem o mercado internacional de manufaturados, eletrônicos e componentes industriais.

Em razão a política “zero Covid” estabelecida pela China, a província de Xangai fechou os portos para importação e exportação, deixando o porto super lotado, sendo assim muitas empresas tiveram que efetuar a consolidação e embarque para províncias distintas que estãocom a fronteira aberta, acarretando uma superlotação em portos de províncias vizinhas. Além dos desequilíbrios e aumento de custo de matéria prima e combustível, surge também o de oferta e demanda nos fretes marítimos, provocando o aumento do custo em seus fretes.

Em um relatório divulgado no início de abril/22, a Organização Mundial do Comércio(OMC) sinalizou que, cortou a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB)global esteano, de 4,1% a 2,8%. Para 2023, a previsão é de uma expansão de 3,4%, mas a OMC explica que as estimativas são mais incertas do que o normal, por conta da natureza “fluida” do conflito.

Ela ainda destaca que o comércio global de mercadorias pode crescer em um intervalo de 0,5% a 5,5% este ano, a depender da evolução das tensões. Quando as medidas de lockdown forem suspensas, será preciso atender a demanda acumulada e a normal. É daí que vem o desequilíbrio de oferta e demanda (de frete). Com isso, as consequências serão fluxo lento de importações e aumento da inflação.

Porto de Xangai

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